O câncer de mama é o segundo tipo mais recorrente entre as brasileiras

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O câncer de mama é o segundo tipo mais recorrente entre as brasileiras. O primeiro é de pele do tipo não melanoma. De acordo com estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), 57.960 mortes ocorridas, em 2016, foram causadas por câncer de mama.

Entre 2009 e 2014, o número de casos da doença no país aumentou 13,4%, número que representa uma taxa de aumento de mais ou menos 2% ao ano. Ao todo, são 57 mil novos casos de câncer de mama no Brasil a cada ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

De acordo com o coordenador de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês, Alfredo Barros, esse aumento no número de casos nos últimos anos se deve a alguns fatores. O primeiro deles diz respeito à reprodução.

A mulher hoje em dia engravida tarde e poucas vezes. Além disso, amamenta por pouco tempo e também toma reposição hormonal de forma exagerada na menopausa.”

O especialista comenta que muitas mulheres obesas e fumantes cometem o erro de tomar hormônio nessa fase da vida e, com isso, aumentam as chances de desenvolver câncer nas mamas.

Infelizmente, um dos fatores que vemos nesse século é a mulher obesa e fumante que toma hormônio”, lamenta.

Ele explica que no tecido subcutâneo da mulher obesa existe o hormônio estrogênio, responsável pela multiplicação das células da mama, que podem ocorrer de forma desordenada, causando o câncer. “A obesa está sempre bombardeando a mama com mais estrogênio”, diz.

Questões ambientais também influenciam no crescimento do número de casos. “Estudos mostram que poluição, queima de lixões [que produzem hidrocarbonetos aromáticos] e produtos oriundos de motores e baterias podem levar ao câncer”, afirma o mastologista.

A alimentação também tem sua influência: “Não existe controle do que se dá ao boi, nem de pesticidas e agrotóxicos usados em verduras”, destaca o especialista.

O estresse da vida moderna tem uma parcela de contribuição na maior incidência do carcinoma. “A mente não leva o gene do câncer, mas achamos que quem tem uma vida melhor [mais tranquila, sem estresse], se defende mais, tem imunidade melhor”, diz o médico.

De acordo com Barros, 3% das mulheres que morrem no Brasil têm câncer de mama. Dados da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) indicam que a taxa de mortalidade é maior entre mulheres com mais de 70 anos.

Há também uma diferença nos índices verificados por região: no Sul e no Sudeste morrem 6,6 mulheres a cada 100 mil habitantes; enquanto no Norte e no Nordeste a taxa é de 14 por 100 mil.

Chances de cura

De acordo com o médico do Sírio-Libanês, as chances de cura do câncer de mama são de até 97%, se a mulher buscar tratamento ainda na fase inicial da doença. A mamografia é capaz de identificar tumores ainda muito pequenos, de apenas 1 milímetro.

“No Brasil ainda tem muito diagnóstico tardio. É muito tabu, muito medo. Quem procura pode achar e quem acha, cura”, diz o mastologista.

Depois dos 40 anos, as mulheres devem se submeter ao exame de mamografia uma vez por ano, segundo recomenda a Sociedade Brasileira de Mastologia.

Passada essa idade, principalmente se a mulher já se encontra na menopausa, é preciso ter atenção com as mamas mais densas, que possuem mais tecido glandular do que adiposo. Nesses casos, as células podem crescer e se multiplicarem com maior rapidez, o que aumenta em quatro a seis vezes as chances de se tornarem cancerosas.

“Mama densa não é boa coisa depois da menopausa. A boa mama depois da menopausa é mais caída, mais flácida”, explica Barros.

O oncologista do Hospital Sírio-Libanês Artur katz destaca que a questão da mama densa é complexa, pois, além de representar um risco discretamente maior de desenvolvimento do câncer, reduz a sensibilidade da mamografia.

“Nesses casos, a mulher deve fazer a ultrassonografia juntamente com a mamografia e, eventualmente, a depender de outros critérios avaliados pelo médico, fazer ressonância magnética”, finaliza.

 

Bebida alcoólica pode aumentar o risco de câncer de mama?

Um estudo publicado pelo Fundo Mundial Para Pesquisa com Câncer (WCRF, sigla em inglês) e o Instituto Americano Para Pesquisas Com Câncer (AICR) virou notícia ao afirmar que mulheres que ingerem meia taça de vinho – ou um copo pequeno com a bebida ou cerveja – por dia estão mais sujeitas a desenvolver câncer de mama do que as que não têm esse hábito.

O que o relatório Dieta, Nutrição, Atividade Física e Câncer de Mama (em tradução livre) mostrou, na realidade, é a incidência de tumores na mama associada à ingestão diária de bebidas alcoólicas — principalmente em mulheres na fase da pós-menopausa.

Foram analisados os efeitos da dieta, do peso e dos exercícios físicos no desenvolvimento de câncer em 119 pesquisas feitas com 12 milhões de mulheres em mais de 260 mil casos.

A conclusão apontou que mulheres que entraram na menopausa e que que bebiam 14 gramas de álcool por dia apresentavam 9% mais predisposição no desenvolvimento do câncer de mama do que as que não costumam consumir a substância. Já quem estava no período pré-menopausa apresentou 5% mais chances de desenvolver tumores malignos quando consumiam 10g da substância.

ingestão de álcool e seus efeitos no organismo das mulheres para o desenvolvimento do câncer de mama, contudo, ainda não tem uma conclusão definitiva, de acordo com Fabiana Baroni Makdissi, cirurgiã oncologista e diretora do Departamento de Mastologia do A.C. Camargo. A questão é que o consumo de álcool está relacionado com a produção hormonal. “A suspeita é de que o álcool eleva os níveis de estrógeno na mulher”, explica.

Fonte: Site Coração & Vida e BBC

 

 

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